16 dezembro 2016

Resenha: Sejamos Todos Feministas - Chimamanda Ngozi Adichie


Título: Sejamos Todos Feministas
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
Número de Páginas: 50
Ano de Lançamento: 2014

Sinopse:
O que significa ser feminista no século XXI? Por que o feminismo é essencial para libertar homens e mulheres? Eis as questões que estão no cerne de Sejamos todos feministas, ensaio da premiada autora de Americanah e Meio sol amarelo."A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente."Chimamanda Ngozi Adichie ainda se lembra exatamente da primeira vez em que a chamaram de feminista. Foi durante uma discussão com seu amigo de infância Okoloma. Não era um elogio. Percebi pelo tom da voz dele; era como se dissesse: Você apoia o terrorismo!. Apesar do tom de desaprovação de Okoloma, Adichie abraçou o termo e em resposta àqueles que lhe diziam que feministas são infelizes porque nunca se casaram, que são anti-africanas, que odeiam homens e maquiagem começou a se intitular uma feminista feliz e africana que não odeia homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma, e não para os homens.Neste ensaio agudo, sagaz e revelador, Adichie parte de sua experiência pessoal de mulher e nigeriana para pensar o que ainda precisa ser feito de modo que as meninas não anulem mais sua personalidade para ser como esperam que sejam, e os meninos se sintam livres para crescer sem ter que se enquadrar nos estereótipos de masculinidade. Sejamos todos feministas é uma adaptação do discurso feito pela autora no TEDx Euston, que conta com mais de 1 milhão de visualizações e foi musicado por Beyoncé.

Crítica:

Neste livro, a autora trás por assim dizer um informativo falando sobre o que é o feminismo e porque precisamos dele na atualidade. Ela usa sua própria experiência na Nigéria para retratar isso e relata casos de amigas, além disso ela também fala sobre amigas de outros países como o Estados Unidos que enfrentam dificuldades devido o machismo.
Se só os homens ocupam cargos de chefia nas empresas, começamos a achar “normal” que esses cargos de chefia só sejam ocupados por homens.
Mulheres em todo o mundo, em algumas sociedades mais do que em outras, sofrem com o julgamento, falta de respeito e injustiça apenas por serem mulheres. Elas tem de lidar todos os dias com homens ocupando o mesmo cargo que elas e ganhando mais. Não são levadas a sério apenas por serem mulheres. Podem trabalhar o mesmo tanto que o marido, mas quando chegam em casa ficam com toda a tarefa doméstica apenas para si. São julgadas se não quiserem se casar ou se demorarem para arrumar um namorado/marido. Alguns comportamentos no ambiente de trabalho, é permitido o homem ter, mas se uma mulher tiver vão julgar, falar e até tentar prejudica-la com um superior.
Hoje, vivemos num mundo completamente diferente. A pessoa mais qualificada para liderar não é a pessoa fisicamente mais forte. É a mais inteligente, a mais culta, a mais criativa, a mais inovadora. E não existem hormônios para esses atributos. Tanto um homem como uma mulher podem ser inteligentes, inovadores, criativos. Nós evoluímos. Mas nossas ideias de gênero ainda deixam a desejar.
Chimamanda trata principalmente destes assuntos, inicialmente ela fala também sobre como o feminismo é usado para ofender as mulheres e a visão errada que as pessoas tem sobre o feminismo. Ela deixa muito claro que feminista é o homem ou mulher que acredita na igualdade de gêneros. E diz que é feminista, é feliz, gosta de ser feminina, se depila... Para mostrar que feministas não são esses estereótipos que pregam por aí sem conhecimento e tentando manchar a imagem delas.
Perdemos muito tempo ensinando as meninas a se preocupar com o que os meninos pensam delas. Mas o oposto não acontece. Não ensinamos os meninos a se preocupar em ser “benquistos”. Se, por um lado, perdemos muito tempo dizendo às meninas que elas não podem sentir raiva ou ser agressivas ou duras, por outro, elogiamos ou perdoamos os meninos pelas mesmas razões.
Sejamos Todos Feministas, foi uma leitura leve, fácil e prazerosa. O ebook é bem pequeno então acredito que eu li tudo em no máximo meia hora. É bem explicativo e quem já conhece o feminismo não vai encontrar novidades. Mas de qualquer maneira é uma boa leitura para conhecer um pouco da realidade da sociedade da Nigéria. Tem muitas frases inteligentes com que nos identificamos e que explicam muito sobre o assunto. No final tem uma lista com outras obras da autora e já fiquei curiosíssima para ler. Achei a capa bem alegre e bonita, imagino que a linda mulher na capa se trata de Chimamanda. Leitura super recomendada.

Nota:

A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente.
O modo como criamos nossos filhos homens é nocivo: nossa definição de masculinidade é muito estreita. Abafamos a humanidade que existe nos meninos, enclausurando-os numa jaula pequena e resistente. Ensinamos que eles não podem ter medo, não podem ser fracos ou se mostrar vulneráveis, precisam esconder quem realmente são — porque eles têm que ser, como se diz na Nigéria, homens duros.
Ensinamos as meninas a se encolher, a se diminuir, dizendo-lhes: “Você pode ter ambição, mas não muita. Deve almejar o sucesso, mas não muito. Senão você ameaça o homem. Se você é a provedora da família, finja que não é, sobretudo em público. Senão você estará emasculando o homem.” Por que, então, não questionar essa premissa? Por que o sucesso da mulher ameaça o homem?
Ensinamos que, nos relacionamentos, é a mulher quem deve abrir mão das coisas. Criamos nossas filhas para enxergar as outras mulheres como rivais — não em questões de emprego ou realizações, o que, na minha opinião, poderia até ser bom — mas como rivais da atenção masculina. Ensinamos as meninas que elas não podem agir como seres sexuais, do modo como agem os meninos.
O problema da questão de gênero é que ela prescreve como devemos ser em vez de reconhecer como somos. Seríamos bem mais felizes, mais livres para sermos quem realmente somos, se não tivéssemos o peso das expectativas do gênero.
Decidi parar de me desculpar por ser feminina. E quero ser respeitada por minha feminilidade. Porque eu mereço.
A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura. Se uma humanidade inteira de mulheres não faz parte da nossa cultura, então temos que mudar nossa cultura.
A meu ver, feminista é o homem ou a mulher que diz: “Sim, existe um problema de gênero ainda hoje e temos que resolvê-lo, temos que melhorar”. Todos nós, mulheres e homens, temos que melhorar.
Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. Eu ainda não tenho uma opinião formada sobre o feminismo e acho que vai ser uma boa conhecer esse livro. Teceram vários elogios a ele e a autora, então tenho certeza de que vai me ser muito útil. Acho bacana esse estilo de conteúdo e espero que todos possam lê-lo, para desmitificar muitas informações errôneas.

    Beijos, Gabi
    Reino da Loucura

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  2. Eu já queria ler esse livro antes mas sua resenha com essas citações só me deixaram mais curiosa ainda.

    Epílogo em Branco

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