15 janeiro 2018

Resenha: Alice no País do Amor - Lucilla Guedes


Título: Alice no País do Amor
Autora: Lucilla Guedes
Editora: Chiado Editora
Número de páginas: 222
Ano de Lançamento: 2015
Livro cedido em parceria com a editora.

Sinopse:
Instruções: Siga a trilha do coelho branco e “caia de amores” por esta história em que conquista, paixão, personagens pirados de filmes, gurus do amor e anciãos malucos se misturam, trazendo situações engraçadas, revelações e muito, muito romance...Alice é uma advogada beirando os trinta anos, que mora em Curitiba e sonha com o verdadeiro amor. O problema é que ela é apaixonada – desde menina – por Max (atual namorado de sua melhor amiga, Helen), nutrindo, por ele, uma paixão platônica.
Esse sentimento se reacende na época da faculdade quando o reencontra como professor do curso de Direito. Alice resolve não revelar que fora sua vizinha quando criança e inicia um flerte com Max, mas a história toma outro rumo quando ele conhece Helen e eles começam a namorar.
Sofrendo com essa paixão não correspondida, Alice conta sempre com o apoio de Alan, seu amigo e confidente, mas vê evaporarem suas últimas esperanças ao saber que Max pediu Helen em casamento. Abalada com a notícia, com a autoestima “no pé” e tentando “dar a volta por cima”, Alice decide ousar, com um vestido pra lá de provocante, justamente na festa de aniversário à fantasia de Helen (em que quase todos estão vestidos como as personagens de Alice no País das Maravilhas) e então desperta — novamente — o interesse de Max, que tenta seduzi-la.
Será que Alice conquistará o homem dos seus sonhos?

A história é focada em Alice, uma jovem advogada nos seus vinte e poucos anos que ainda luta internamente com seu amor de infância. O maior problema é que Max, apesar de ser sua paixão de anos, acaba se envolvendo com sua melhor amiga Helen e noivando com ela. O maior dilema de Alice, é que apesar de seu muito esforço, mesmo na época da faculdade em que Max foi seu professor, ele nunca se envolveu realmente com ela. E pior ainda, como ela pode competir com Helen, que é seu extremo oposto? Helen é alta, loira, bonita, engraçada, extrovertida, despojada; muito diferente de Alice, que é bem simples, tem coração romântico e uma beleza escondida por baixo de suas roupas formais que ela mesma acha que são bregas.

O maior problema de Alice se revela na festa de aniversário da Helen, em que ela resolve ousar um pouco no visual pra festa de fantasia. Por fim, depois de muita procura, ela resolve fazer uma piada com o próprio nome e se veste numa fantasia provocante da Alice dos livros. Ao chegar na festa, ela percebe que, sem querer, está presa num certo triângulo, já que Max está fantasiado de chapeleiro maluco e Helen de rainha de copas. E esse triângulo relativamente se desenvolve durante a noite da festa e tudo se complica mais ainda quando o estilo diferente de Alice provoca o surgimento de novos sentimentos e de uma grande atração de Max por ela. Apesar de ser a sua grande chance de finalmente ter o amor da sua vida, Alice irá aproveitar essa chance ou irá repensar tudo isso, principalmente por causa da sua melhor amiga?

Perdida no meio dessa trama toda, me apaixonei completamente pela história do livro. Li tão rapidamente que depois me arrependi quando estava perto do final. Primeiramente porque me identifiquei muito com a personalidade excêntrica e de romântica incorrigível da Alice. Uma das melhores partes do livro foi observar a Alice na sua jornada de finalmente descobrir quem era e a sua importância em tudo o que acontecia. Não só em relação ao amor, ela começa a repensar sua carreira, suas amizades, sua família e principalmente quem ela é. A princípio, a história pode até parecer clichê, mas o que é mais interessante é a caminhada de descoberta da própria Alice sobre a história dela. Quem está nessa fase dos vinte anos, apesar de já ser considerado adulto pra sociedade, ainda passa por várias crises existenciais que são extremamente necessárias para realmente direcionar para que rumo a nossa vida irá seguir no futuro. Observar as decisões e reflexões de Alice também me fizeram repensar certas atitudes.

De longe uma das partes que eu mais gostei (além do romance, claro, que não se preocupe, vai acontecer), foi como ela reagia diante de suas amizades. No começo, você já toma um posicionamento de detestar a Helen por ter "roubado" o Max da Alice. E às vezes também se zanga com as broncas que o Alan dá na Alice. Mas na história você percebe que não é bem assim que as amizades devem ser. Claro que é muito difícil manter amizades por mais de dez anos e se conseguiu até esse momento, com certeza não vai ser por um motivo bobo que você vai jogar tudo isso fora. Com o tempo você se apaixona pelos três amigos, percebendo que apesar de tudo, nós devemos sim cultivarmos as nossas amizades e priorizá-las à frente de certas atitudes e emoções egoístas. Mesmo que envolvesse interesses amorosos, achei que Alice no final tomou decisões que realmente me surpreenderam.

Posso afirmar que subestimei esse livro e por isso me surpreendi muito mais. Não se engane pensando que esse livro vai ser aquele romance clichê de sempre, apesar de, no todo, ele realmente ser. Mas o mais interessante do livro, não é a história toda em si, mas assim como Alice, o melhor é a jornada. E juro que vale muito a pena. Claro que, apesar de ter achado muito bom, não é daqueles livros mega incríveis que faz mudar toda a sua vida e sua visão de mundo. Mas é daqueles tão simples, sinceros e delicados que deixam bem consigo mesmo e o coração quentinho. E pode ter certeza, que assim como aconteceu comigo, você vai ler quase tudo em uma sentada.

Nota:

Aguentei firme os últimos anos por ter convencido a mim mesma de que ele não era capaz de amar. Isso segurou minha barra. Depois que a pediu em casamento, porém, todas as características dele que eu sabia ter inventado, sem jamais admitir, incluindo a de ter coração de gelo, não cabiam mais. - pág. 14
 Ele não mudara tanto com a idade. Não na fisionomia. Quinze anos haviam se passado quando o reencontrei. Só então me dei conta de que sentimentos hibernavam dentro de mim, clandestinamente. - pág. 18
[...] Cheguei a pensar que ele estava se apaixonando por mim. Hoje não sei de mais nada. Devo ter interpretado errado cada gesto, cada olhar. Atribuído grandes dimensões a coisas pequenas simplesmente por querer que ele me amasse. Porque se o que eu sentia não era amor, era irmão gêmeo dele. pág. 38

Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário:

Postar um comentário