31 julho 2018

Resenha: Filha da Profecia - Juliet Marillier


Título: Filha da Profecia (Resenha de Filha da Floresta e Filho das Sombras)
Autora: Juliet Marilier
Editora: Butterfly
Número de Páginas: 640
Ano de Lançamento: 2014

Sinopse:
A história de Fainne, criada pelo pai, Ciarán, em uma terra distante. Ao se tornar adolescente, ela é visitada pela avó, a malévola feiticeira Lady Oonagh, que a obriga a embarcar em uma terrível missão: infiltrar-se na família, em Sevenwaters, e impedir que seu tio Sean e seus aliados reconquistem as Ilhas sagradas – invadidas há gerações pelos escandinavos.
Educada pelo pai usando seus dons de magia para o bem, ela, no entanto, agora se vê forçada a usar de artimanhas e maldade para atingir os objetivos de vingança de sua avó.

Em mais um livro da Trilogia Sevenwaters, podemos nos aventurar com mais um descendente da família de Sevenwaters. Agora participamos de uma aventura com Fainne, filha de Ciarán e Niamh.

Fainne cresceu em Kerry em meio a rochedos perto do mar, em uma formação rochosa que ela e o pai chamavam de Honeycomb. Isolados do mundo, só tinham companhia no verão quando viajantes chegavam aquela região. Niamh faleceu quando Fainne era muito nova, por isso ela foi criada pelo pai e ensinada os conhecimentos druidas e também a magia que herdaram de Lady Oonagh (mãe de Ciarán). Além de seu pai, seu melhor amigo era Darragh, filho do viajante Dan Walker, que lhe fazia companhia durante os verões e brincava com ela. A medida que crescia, mais responsabilidades eram impostas a Fainne e por isso nem sempre podia estar junto ao seu amigo, mas ela de certa forma se conformava com o seu destino.

Quando Fainne já contava com seus 15 anos, seu pai decidiu que ela deveria ir para Sevenwaters, a terra de sua família. Ela deveria voltar para os seus. Era inconcebível para a garota. Ela sabia o quanto seu pai e sua mãe sofreram ali, e pensar em se separar de seu pai estava fora de cogitação. Ciarán foi firme e nada o faria mudar de opinião, dito isso ele recorreu a mãe, a velha bruxa Lady Oonagh para ensinar Fainne a ser uma dama, para que então fosse enviada a Sevenwaters.

Lady Oonagh fez mais que ensinar Fainne a ser uma dama, a ensinou magias, a como seduzir um homem e muito mais. Tudo o que ela queria, era que a garota fosse instrumento de sua vingança contra aqueles que a derrotaram e humilharam no passado. Porque Lady Oonagh era uma santa né, só que não. Ameaçada e sem escolha, a jovem segue para Sevenwaters junto com a família de Dan Walker e seu melhor amigo Darragh. Fainne sabe que deve proteger o amigo de sua avó, e por isso mesmo que seu coração diga o contrário, tenta afasta-lo de todas as formas. Desta forma, ele acaba ficando para trás e ela segue para Sevenwaters onde colocará o plano malévolo de sua vó em prática.

Já em Sevenwaters, as coisas não são tão fáceis quanto Fainne achou que seriam. Embora tente, ela não consegue evitar e se apega as primas, principalmente as mais novas de quem ela acaba cuidando na maior parte do tempo. Aos poucos ela acaba também gostando de seus tios, e por vezes até mesmo esquece de qual é a sua missão ali, coisa que para o seu horror a avó faz questão de lhe fazer lembrar. Com ameaças a aqueles que ama, Fainne se vê obrigada a ceder aos caprichos da avó. E é assim que começa um jogo pelo poder onde é difícil saber quem sairá vitorioso.

Não me sinto nem um pouco decepcionada por Juliet Marillier, porque essa mulher não decepciona NUNCA. Filha da Profecia é um livro maravilhoso, como se pode esperar dessa trilogia que é um dos meus xodós. E claro que se tratando de Sevenwaters, a gente sofre muito lendo. Não vou mentir, eu ficava toda esperançosa em diversas partes, mas vinha Lady Oonagh e estragava tudo quando Fainne estava mais determinada. E confesso que as vezes irritava, Fainne prestes a fazer o que era certo, mas os planos iam por água abaixo... Mas é compreensível o quanto ela estava confusa e também a influência que sofria pela avó.

Falando em algo que me irritava, eu até perdi as contas de quantas vezes Darragh foi atrás de Fainne dizendo que precisava proteger e cuidar dela, mas para o bem dele, ela sempre o mandava embora. Uma mistura de irritação e sofrimento era o que eu sentia nessas horas, mas era necessário para a trama. Fainne pode levantar as mãos pros céus e agradecer, pois um homem como Darragh não se encontra em qualquer lugar, e é mais difícil ainda de se encontrar na vida real, embora com certeza devam existir.

Como sempre, Juliet Marillier desenvolveu o romance de forma leve e sutil, sem nada forçado e muito menos sem colocar este como o foco da trama. O foco deste livro estava nos planos de Lady Oonagh e na grande batalha que ocorreria para reconquistar as ilhas que pertenciam ao povo de Sevenwaters. O livro é desenvolvido com excelência e podemos ver as mudanças dos personagens dos outros livros e também o que permanece intacto em suas personalidades. Sempre é muito bom conhecer personagens novos cativantes como as filhas de Sean e Aishling, e rever personagens que pudemos conhecer pouco pois eram muito jovens, como Johnny.

Filha da Profecia é apaixonante e faz com que haja uma imersão do leitor no livro, vivenciando juntamente com os personagens as aventuras, emoções e sentimentos. Fez com que eu ficasse com a sensação de que preciso ler mais, e já possuindo o quarto livro, da trilogia que virou série, aqui no Brasil, não hesitarei em lê-lo assim que puder.

A capa e diagramação são lindos, seguindo o padrão dos outros livros. O material do livro é de excelente qualidade e as páginas amareladas cooperaram para que se pudesse ter uma leitura agradável e fluída. Mais uma vez, recomendo que leiam essa série e venham conversar comigo!

Nota:


Fogo é algo terrível. Começa com uma pequena faísca, mas cresce e se espalha até se tornar invencível, varrendo e consumindo tudo que encontra pela frente. Se não é combatido a tempo, toma proporções incontroláveis. - Pág. 213
- Durante muito tempo - ele continuou -, eu jurei que jamais seguiria o caminho comum, como ter uma família ou pertencer a uma comunidade, julgando que tudo isso oferecia grandes riscos. Os laços do amor são muito fortes. Causam dores muito maiores que o sofrimento do corpo e dilemas que só são resolvidos depois de muita angústia e perdas. - Pág. 442
Somos parte de tosas as maravilhas da natureza, ligados a ela como um filho é ligado à mãe. Se não as conhecemos, não poderemos comhecer a nós mesmos. - Pág. 599
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